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Paraguai vive pior momento na pandemia, com maior taxa de mortalidade do mundo, falta de leitos de UTI e vacinação lenta

Todos os dias, 200 novos pedidos de leitos de UTI são registrados em hospitais públicos do país, que contam com apenas 756 unidades disponíveis, todas ocupadas

19/06/2021 às 13h05
Por: Redação Fonte: Thayz Guimarães
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Pacientes de Covid-19 são assistidos em unidade de terapia intensiva no Hospital das Clínicas em San Lorenzo, Paraguai Foto: DANIEL DUARTE / AFP/14-06-2021
Pacientes de Covid-19 são assistidos em unidade de terapia intensiva no Hospital das Clínicas em San Lorenzo, Paraguai Foto: DANIEL DUARTE / AFP/14-06-2021

O Paraguai vive seu momento mais crítico na pandemia de Covid-19, com um sistema público de saúde em colapso, falta de leitos de terapia intensiva até na rede privada e a mais alta taxa de mortalidade do mundo, de quase 18 mortes por milhão de habitantes todos os dias. O número de novos casos diários vem caindo lentamente, mas a média móvel — que compila dados de sete dias — permanece alta, acima de 2,3 mil.

Na sexta-feira, a média de mortes diárias no país era de apenas 126, uma cifra que parece pequena se comparada à do Brasil, onde morreram mais de 2 mil pessoas no mesmo dia, mas que ganha outros contornos se analisada do ponto de vista populacional: com cerca de 7,1 milhão de habitantes, o Paraguai tem uma taxa de mortalidade que é quase o dobro da brasileira (9,4). 

Sua média de infecções diárias é a 15ª maior do mundo e a sétima da América Latina, com 325,5 novos casos por milhão de habitantes, inferior à de Uruguai (766,3), Colômbia (546,6), Argentina (493,8), Suriname (442) e Brasil (330,4) no subcontinente.

— Os hospitais públicos estão em colapso, com ocupação de 100% dos leitos comuns e de terapia intensiva e um déficit de múltiplos insumos — disse ao GLOBO Carlos Morinigo, diretor do Instituto Nacional de Doenças Respiratórias e do Ambiente (Ineram, na sigla original), referência no tratamento da Covid-19 no Paraguai. — O pessoal de saúde está exausto e cansado devido à saturação do número de pacientes. O mesmo ocorre no sistema privado de saúde, também com 100% de ocupação.

O país tem 756 leitos em unidades de terapia intensiva (UTI) disponíveis na rede pública e outros 130 na rede particular, segundo dados do Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social. Mas a taxa de solicitação de leitos em UTIs é de cerca de 200 leitos por dia em hospitais públicos do país, segundo o jornal paraguaio ABC Color. Enquanto isso, hospitais particulares tentam aumentar sua oferta para atender à demanda crescente.

— Estamos agora com mais de 120% de ocupação, porque todos os hospitais privados realizaram ampliações para poder atender a esta altíssima demanda que temos agora, tanto de leitos de internação normal, como de terapia intensiva — disse ao ABC o médico Gerardo Brustein, contando que alguns hospitais optaram por acomodar até dois pacientes da mesma família em um mesmo espaço, mas a medida, estabelecida há três semanas, não tem sido suficiente para contornar a situação.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 4 mil paraguaios estão internados devido a complicações do coronavírus, 617 deles em unidades de terapia intensiva.

Paraguai sofre com alta taxa de mortalidade e vacinação lenta

Média móvel de sete dias de casos e mortes e % da população que recebeu a vacina contra o coronavírus

Perda de controle

Depois de um período de isolamento social — num primeiro momento muito rígido — que durou sete meses no ano passado, o Paraguai reabriu as fronteiras e iniciou uma fase de afrouxamento das medidas de prevenção dos contágios a partir de outubro.

Contexto: Desarticulada, América Latina tem resposta fragmentada e resultados catastróficos contra a Covid-19

A situação sanitária se manteve controlada durante algum tempo, mas, no início de 2021, começaram a surgir fortes questionamentos ao ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, que acabou sendo afastado do cargo em meio a denúncias de corrupção. Em março, milhares de paraguaios também saíram às ruas para pedir o impeachment do presidente Mario Abdo Benítez, aliado de primeira hora do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Com o número de infecções e internações aumentando, o consumo de oxigênio também disparou "em 500%", disse o ministro da Saúde, Julio Borba. Segundo ele, o governo está tentando remediar esta demanda e o presidente Benítez teria pedido pessoalmente a Brasília que liberasse o material para exportação ao Paraguai.

Para Morinigo, chefe do Ineram, as ações do Paraguai no início da pandemia, de isolamento total, até o desconfinamento gradual, foram “inteligentes”, considerando que o sistema de saúde do país “não estava preparado em termos de infraestrutura, suprimentos  e pessoal após uma forte epidemia de dengue”.

Mas então surgiram as denúncias de “compras superfaturadas de insumos de baixa qualidade”, além de “processos administrativos lentos e ineficientes, com altas suspeitas de corrupção”, conta:

— A corrupção e consequente perda de credibilidade dos cidadãos nas autoridades em meio a um confinamento que provocou a perda de milhares de postos de trabalho e um impacto econômico significativo, deixou as pessoas cansadas [de seguirem as medidas sanitárias] e temos hoje estes números — explica ao GLOBO.

O programa de vacinação paraguaio também é desastroso. Até sexta-feira, o país havia administrado apenas 662,8 mil doses da vacina anti-Covid, com cerca de 422,5 mil pessoas (5,92% da população) tendo recebido ao menos uma dose, e 240,3 mil pessoas (3,37%) as duas doses necessárias. É a segunda menor taxa de imunização da América do Sul, superior apenas à da Venezuela (2,07%), enquanto o Chile já vacinou mais de 60% da população.

— O segundo erro grave de gestão do Ministério da Saúde foi apostar todas as fichas no sistema Covax da OMS. Fomos um dos primeiros países cadastrados, pagamos milhões de dólares em adiantamento, mas, até o momento, das 8,2 milhões de vacinas contratadas, recebemos apenas 484,4 mil — disse Morinigo. — A Opas [Organização Pan-Americana da Saúde] falhou conosco e se esqueceu do Paraguai. Estamos vivendo da solidariedade e de doações de países amigos.

Desde o início da pandemia, o país registrou 401,2 mil casos de coronavírus e 11,3 mil mortes.

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