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Paraguaios que eram escravizados em fazenda em Nioaque receberão R$ 150 mil de indenização

Entre os trabalhadores resgatados estava um adolescente, de apenas 15 anos

04/09/2021 às 02h00 Atualizada em 04/09/2021 às 02h13
Por: Redação Fonte: Adriano Fernandes
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Trabalhadores resgatados na Fazenda Salto. (Foto: Divulgação/MPT-MS)
Trabalhadores resgatados na Fazenda Salto. (Foto: Divulgação/MPT-MS)

Os 15 trabalhadores paraguaios resgatados, em dezembro do ano passado, em situação análoga à de escravidão na Fazenda Salto, zona rural de Nioaque, a cerca de 180 quilômetros da Capital, serão indenizados em R$ 150 mil pela empregadora, que era arrendatária da fazenda. À época do flagrante que foi realizado pelo MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul), Maisa Rodrigues da Costa foi apontada como a responsável pela propriedade por dois de seus irmãos, que responderam a contato ao site Campo Grande News.

O grupo irá receber, da então empregadora, agropecuarista, as verbas rescisórias relativas à contratação para limpeza de um pasto. Cada trabalhador resgatado também irá embolsar outros R$ 5 mil, a título de indenização por danos morais. Somada, a reparação a ser paga pela agropecuarista, os trabalhadores foram resgatados, soma cerca de R$ 150 mil.

O ressarcimento é resultado de ação civil pública, protocolada pelo procurador do Trabalho Odracir Juares Hecht. O pagamento, bem como o cumprimento de 18 obrigações de fazer e de não fazer, foi homologado em audiência de conciliação, mediada pela juíza Erika Silva Boquimpani, da Vara do Trabalho de Jardim, realizada no dia 18 de agosto.

O acordo convencionado prevê que o pagamento será realizado em cinco parcelas, a serem depositadas em juízo, a contar de setembro, e repassado para contas individuais informadas pelas vítimas.

Caso descumpra a decisão judicil, a agropecuarista comprometeu-se a cumprir 18 obrigações de fazer ou de não fazer, sob pena de diferentes sanções, inclusive multa por empregado que venha a novamente ser prejudicado.

Abuso - Os 15 trabalhadores foram encontrados na Fazenda Salto em condições análogas à escravidão no dia 4 de dezembro do ano passado. Peritos em engenharia de segurança do Trabalho do MPT, auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho, Ministério Público Estadual e Polícia Civil estiveram na propriedade e constaram a realidade degradante na qual eles se encontravam, além de outras irregularidades.

Recrutado nas pequenas cidades de Bela Vista e Jardim, no interior de Mato Grosso do Sul, e em Bella Vista Norte, no Paraguai, o grupo era composto majoritariamente por imigrantes de origem paraguaia, dentre eles um adolescente de 15 anos. Eles trabalhavam sem condições básicas de higiene e segurança, ou registro formal.

Eles recebiam apenas R$ 60 por dia pelo trabalho exercido de segunda-feira a sábado, das 5h30 às 11h e das 13h às 16h30, que deveriam ser acertados ao final do mês. No processo, o procurador Odracir Hecht também detalhou as condições precárias às quais o grupo era submetido. “Os trabalhadores resgatados, entre eles menores de idade, foram forçados a viver em barracos de lona, numa estrutura totalmente improvisada em um curral, dormindo em camas feitas com tábuas e fazendo suas necessidades fisiológicas num buraco, ou então no mato, não tendo ainda acesso a qualquer material de prestação de primeiros socorros, entre outras irregularidades”, descreveu.

Antes de ingressar com a ação civil pública, o MPT e a Superintendência Regional do Trabalho, em tratativas com o advogado da agropecuarista, buscaram viabilizar o pagamento voluntário das verbas rescisórias devidas. Porém, as primeiras negociações não progrediram, já que, apesar de notificada e ciente dos trâmites investigatórios, a ré não compareceu à audiência administrativa inicial designada pelo MPT, assim como não quitou os valores apurados pela fiscalização.

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