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Vaca louca: Brasil confirma dois casos atípicos da doença. Devo me preocupar ao comer carne? Tire suas dúvidas

Não há risco para o consumidor, afirmam autoridades. Entenda como é a contaminação e por que o governo suspendeu as vendas para a China

05/09/2021 às 21h23
Por: Redação Fonte: Manoel Ventura
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Brasil detecta casos de vaca louca Foto: / Paulo Fridman / BLOOMBERG NEWS / Arquivo
Brasil detecta casos de vaca louca Foto: / Paulo Fridman / BLOOMBERG NEWS / Arquivo

A doença da vaca louca ficou mundialmente conhecida a partir da década de 1980, após um surto no Reino Unido. A enfermidade torna os animais perigosos, daí seu nome. O assunto voltou ao noticiário neste sábado, após o Ministério da Agricultura confirmar dois casos em frigoríficos no país, em Minas Gerais e Mato Grosso.

Mas, para o consumidor, há riscos ao comprar ou consumir carne? Autoridades afirmam que não.

Nos dois casos registrados no Brasil, trata-se da "origem atípica" doença, ou seja, não ocorreu por causa de contaminação, que poderia afetar mais de um bovino por vez, mas por causa de uma mutação em um único animal.

Ainda assim, o Brasil suspendeu as exportações de carne para a China, porque o protocolo sanitário que tem com o país asiático prevê a suspensão temporária das vendas nesses casos.

Os países importadores do Brasil e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) já foram notificados sobre os casos atípicos de Minas e Mato Grosso.

Em 20 anos de monitoramento da doença no Brasil, nunca foi identificado a forma tradicional da doença, que é quando o animal é contaminado por causa de sua alimentação.

Entenda a seguir o que é o mal da vaca louca, como ele afeta as exportações e por que não há risco para o consumidor.

1. O que é a doença da vaca louca?

A doença é fatal para os animais e acomete bovinos adultos de idade mais avançada, provocando a degeneração do sistema nervoso. Como consequência, uma vaca que, a princípio, era calma e de fácil manejo, por exemplo, se torna agressiva. Daí vem o nome da doença.

Chamada cientificamente de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a doença é gerada por uma proteína infecciosa chamada príon. O príon já é presente no cérebro de vários mamíferos naturalmente, inclusive no ser humano. Essa proteína, porém, pode causar a doença ao multiplicar intensamente.

Quando isso acontece, o príon mata os neurônios e no lugar ficam buracos brancos no cérebro, por isso o nome da doença de “espongiforme”, já que os buracos têm a forma semelhante a de uma esponja.

2. Como a vaca é contaminada?

Existem duas formas principais para o animal adquirir a doença. O primeiro caso é de forma atípica, quando a proteína príon sofre uma mutação, se tornando infeccioso. Quanto mais velho o animal, maior a probabilidade disto acontecer. Foi dessa forma que ocorreram os dos casos registrados no Brasil nesta semana.

de o animal ficar doente é por contaminação. Isso ocorre quando consome rações feitas com proteína animal contaminada, como por exemplo, farinha de carne e ossos de outras espécies. No Brasil, é proibido o uso deste tipo de ingrediente na fabricação de ração para bovinos. Não há indícios de que uma vaca transmita a doença para a outra diretamente.

3. Humanos podem ser contaminados?

Assim como nos animais, os humanos podem desenvolver o príon infeccioso naturalmente ou adquirir no consumo de carne infectada. Os casos em humanos têm como sintomas a perda de memória, perda de visão, depressão e insônia. Aproximadamente 90% dos indivíduos acometidos evoluem para óbito em um ano, de acordo com o governo federal.

Mas não há risco de a carne estar infectada no Brasil, os casos descobertos aqui foram do tipo atípico, sem contaminação para outros animais. E os dois bovinos diagnosticados com a doença, um em Minas outro no Mato Grosso, foram abatidos e incinerados. No Brasil, é proibido o uso de ração do tipo que pode provocar a vaca louca típica, que provoca contaminação entre animais.

4. Posso continuar comprando carne?

Sim. Segundo o Ministério da Agricultura, os casos registrados são atípicos e, portanto, não há uma contaminação geral nem uma epidemia da doença.

5. Então por que o Brasil suspendeu as exportações de carne para a China?

A China é o principal mercado para a carne bovina brasileira, respondendo por 65% das receitas obtidas pelo Brasil com as exportações do produto este ano.

O protocolo sanitário firmado entre os dois países prevê que, quando há casos de vaca louca, ainda que atípicos, as vendas são suspensas temporariamente. A medida passou a valer neste sábado e vai vigorar até que as autoridades chinesas concluam a avaliação das informações já repassadas sobre os casos.

Até agosto, o Brasil já exportou US$ 3,54 bilhões em carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a China.

6. Quais os principais sintomas no animal?

A doença da vaca louca tem uma evolução longa, na qual o animal apresenta sintomas neurológicos, como nervosismo, apreensão, medo, ranger dos dentes, hipersensibilidade ao som, toque e luz, e dificuldade para andar.

7. Há tratamento?

Não existe um tratamento ou vacina para a vaca louca, por isso, a melhor saída é prevenir que o animal desenvolva a proteína infecciosa, usando apenas as rações autorizadas. Quando acometido pela doença, o gado pode morrer entre duas semanas e seis meses após o início dos sintomas.Quando um animal é diagnosticado com o mal, o produtor deve colocá-la para o abate e incinerar o corpo, a fim de evitar que se torne alimento para alguma espécie e espalhar a doença. O produtor também precisa avisar à vigilância sanitária.

8. Como foram os surtos no mundo?

O maior surto registrado de vaca louca ocorreu no Reino Unido — ao menos 53 pessoas morreram entre 1992 e o ano 2000, época em que a moléstia começou a surgir em outros países da região, levando pânico aos europeus e receios de uma epidemia global. Centenas de animais foram sacrificados, e os exportadores de frango do Brasil foram beneficiados pela situação.

Em 2001, o Canadá registrou casos e, em 2003, foi a vez dos Estados Unidos de ter um surto e sacrificar rebanhos. No Brasil, o Paraná registrou um caso em 2010 e, por isso, uma série de países — incluindo Rússia, Japão, China e África do Sul — suspendeu a compra de carne brasileira.

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