Terça, 11 de Agosto de 2020 03:56
(67) 996972768
Brasil GREVE

Correios corta benefícios e funcionários podem entrar em greve em agosto

Em MS, 1,4 mil trabalhadores da estatal são afetados pelas alterações

31/07/2020 10h49
161
Por: Redacao Fonte: Gabriel Maymone
Assembleia no dia 4 de agosto vai definir se haverá paralisação. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Assembleia no dia 4 de agosto vai definir se haverá paralisação. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cerca de 1.400 funcionários dos Correios em Mato Grosso do Sul podem entrar em greve no mês de agosto após terem uma série de benefícios cortados.

Com a paralisação, os trabalhadores querem impedir a estatal de cortar benefícios, como o adicional de férias de 70% e um tíquete alimentação de R$ 1 mil oferecido em dezembro, que não estão previstos na CLT.

Em nota, o Correios informou que o acordo proposto aos trabalhadores partiu da necessidade de adequar os benefícios dos empregados à realidade financeira da estatal.

A empresa pública citou que está seguindo orientação do governo federal, que recomenda que os Correios façam redução das concessões que extrapolam a legislação e oneram suas finanças.

Por outro lado, a categoria não concordou com as mudanças e os 31 sindicatos que integram a principal federação de trabalhadores dos Correios aprovaram indicativo de greve. No dia 4 de agosto, assembleia nacional irá definir se haverá ou não a paralisação.

A direção da estatal afirma que já tem um plano de contingência formulado para garantir a continuidade de suas atividades.

Cortes e adequações à CLT

Um dos pontos afetados pela proposta dos Correios é o corte no vale refeição. Segundo a estatal, o valor pago extrapola a jornada de trabalho, alcançando as férias e o recesso semanal. A medida poderia gerar economia de R$ 20 milhões mensais, segundo os Correios.

Outra questão abordada no plano da estatal é a redução do pagamento de férias. Hoje, os funcionários recebem 2/3 de adicional ao salário, quando a CLT garante ao trabalhador 1/3 de incentivo no período de descanso.

Se a proposta for aprovada, a licença maternidade que é de 180 dias, passaria para 120 dias como prevê a CLT. O período de amamentação, que hoje é de uma hora de intervalo em cada turno, seria de apenas 30 minutos.

A proposta prevê ainda uma redução no adicional noturno de 60%. A direção da estatal quer a “manutenção do adicional noturno conforme legislação, no valor de 20% ao da hora diurna”.

Outros benefícios também serão cortados, como o pagamento de multas dos funcionários e o vale cultura. A indenização por morte ou invalidez será igualmente excluída, junto com o transporte noturno.

Assim, todas essas ações poupariam mais de R$ 600 milhões ao ano à empresa, que enfrente dificuldade financeira, agravada pela crise provocada pela pandemia do coronavírus.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.