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Rio Paraguai tem menor marca em 55 anos

Nesta terça-feira, o rio atingiu 12 centímetros em Ladário, que tem coleta de dados hidrológicos desde 1900

22/09/2020 15h10 Atualizada há 1 mês
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Por: Redacao Fonte: Aline dos Santos
Imagem Toninho Ruiz
Imagem Toninho Ruiz

Sobre os números negativos, ele explica que o zero é uma referência. “No início de 1900, estimou-se que aquele zero seria um nível que o rio jamais atingiria”, diz.

Mas para demonstrar de que a natureza não se dobra a estatísticas, em 1910, o nível foi de -48 no mês de outubro.  Há 110 anos não tinha agronegócio, grandes cidades, veículo automotor e o evento se apresentava. Acho precipitado afirma que é muita agressão ambiental. Precisa de um coletivo de pesquisadores para estudar as mudanças que estão acontecendo”, afirma Marcelo.

No ciclo das águas, a maior cheia do Rio Paraguai foi em 1988, com máximo de 6 metros e 62 centímetros. Na série histórica, a situação mais severa de seca foi em setembro de 1964.

Nos meses de junho ou julho, quando o nível de água na régua de Ladário atinge cota igual a quatro metros considera-se que houve a cheia.

Bancos de areia - Em Porto Murtinho, a 431 km de Campo Grande, o  rio registrou hoje a marcação de 1,52 metro, a menor marca de 2020.

Do alto, imagens com drone mostram bancos de areia no rio. Jornalista em Porto Murtinho, Toninho Ruiz conta que o curso de água não comporta mais barcaças com 25 comboios, como era comum na região.

 A chuva até chegou ao município, mas o volume das águas do rio Paraguai depende dos seus afluentes. Como diz a composição Comitiva Esperança, de Almir Sater e Paulo Simões, “vai descendo o Piqueri, o São Lourenço e o Paraguai”.

Época da fartura - Presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo destaca o avanço do assoreamento no Rio Paraguai e faz comparativo com o Taquari, que foi asfixiado por sedimentos.

“O Rio Taquari ajuda a exemplificar a nossa preocupação. Estamos acelerando o processo de aporte de sedimentos para a planície. Encurtando uma janela de tempo de cem anos. A prevenção deve começar no planalto, nas nascentes”, afirma.

Conforme o instituto, entre a Barra do São Lourenço, localizada em Corumbá, e Porto Murtinho, são 60 pontos de obstrução do Rio Paraguai. O cenário é retrato do processo natural de depósito de sedimentos numa planície, mas também indica que o volume cresceu e o rio perdeu a capacidade de  transportá-lo.

Num ecossistema de ciclos, Rabelo lembra que o Pantanal vem de 35 anos de cheia. Mas na década de 60, era possível cruza o Paraguai-Mirim de carro, no que se convencionou como a época da fartura no Pantanal.

A lógica que predominou foi que quanto mais terra à disposição para  o gado, maior o rebanho.

“É fundamental que o governo possa implementar uma política pública para restabelecer essa atividade econômica, criando linha de crédito e uma política diferenciada para a região. Com 300 anos de ocupação não tem estrada, energia e comunicação”, afirma o presidente do Instituto Homem Pantaneiro.

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