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Como uma tenente enfrentou 20 horas de fogo no Pantanal

Luisiana Guimarães liderou equipe no combate a incêndio que devastou trecho na Serra do Amolar

03/10/2020 08h35
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Por: Redacao Fonte: Lucas França
Tenente Luisiana Guimarães, de 36 anos, foi destacada para ajudar no combate dos incêndios no Pantanal Foto: Reprodução
Tenente Luisiana Guimarães, de 36 anos, foi destacada para ajudar no combate dos incêndios no Pantanal Foto: Reprodução

Na manhã da sexta-feira 25 de setembro, a tenente Luisiana chegou às 9h na mata atingida por um incêndio na Serra do Amolar, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

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Sob um calor constante, ela permaneceu por 20 horas naquele trecho tomado por fogo e fumaça. Precisou superar o desgaste físico, manter a concentração para acompanhar a propagação das chamas e, ao mesmo tempo, estar atenta a ameaças inesperadas como animais selvagens e acuados, como onças e cobras.

“O combate mais intenso nesse dia ocorreu no meio da tarde. E fiquei por lá até 6h30 do dia seguinte. No total, acho que andei uns 10 quilômetros”, contou a tenente.

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Luisiana Guimarães, de 36 anos, integra o 5º Grupamento de Bombeiros na cidade de Maringá, no Paraná.

Desde o dia 17 de setembro, a tenente está entre os militares destacados para combater o fogo na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul.

Com formação em combate a incêndios florestais, ela liderou outros 14 bombeiros, além de brigadistas locais e homens da Marinha na Serra do Amolar.

Em outra frente de ação em Corumbá, Luisiana se deparou com faixas de fogo que se estendiam por três quilômetros.

“Nos primeiros dias, os incêndios eram muito distantes, com uma frente de fogo muito extensa”, descreveu a tenente. “Uma vez, identificamos as chamas a 300 metros de distância. Mas foi muito difícil chegar até lá porque era vegetação fechada. Fui na frente com um facão abrindo a mata. E, algumas vezes, o incêndio conseguia ser mais rápido do que a gente”.

Ela se impressionou com a destruição na Serra do Amolar, sempre apontada como uma das mais belas paisagens pantaneiras. “Era um lugar tão lindo, sabe. Eu acordei um dia e pude ver várias araras voando de manhã, uma imagem bonita. Mas nós também acordávamos com os olhos queimando por causa da fumaça. O amanhecer e o pôr do sol eram avermelhados”.

Na manhã desta sexta (2), a tenente sobrevoou o local, a bordo de um helicóptero HU-15, e constatou ao olhar para baixo a imagem panorâmica do estrago causado pelo fogo.

No próximo dia 10, Luisiana vai voltar para casa e reencontrar o marido, também militar do Corpo de Bombeiros, e os filhos Miguel, de 5 anos, e Sara, de 2 anos. Ela diz que as crianças entenderam a razão de sua ausência. “Soube que meu filho disse aos amigos no parquinho que a mãe dele não estava em casa porque foi apagar um incêndio.”

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